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Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro tem provocações, interrupções e perguntas sem resposta

Durante o debate, Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico dos dois e questionou o senador sobre um caso envolvendo o assassinato de uma criança. (Foto: reprodução TV Band)

O debate entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro foi marcado por provocações pessoais, interrupções e acusações que atravessaram diferentes momentos do confronto. Em vez de se limitarem à apresentação de propostas, os candidatos protagonizaram embates diretos, com referências a familiares, questionamentos sobre corrupção e acusações envolvendo casos específicos. A mediadora Adriana Araújo precisou intervir para tentar manter a organização das falas, especialmente durante as considerações finais.

Entre os episódios de maior tensão estiveram a discussão sobre o voto de pessoas presas, as interrupções enquanto Lula tentava concluir sua participação e o desafio lançado pelo presidente para que os dois candidatos abrissem seus sigilos bancário e telefônico. Em outro momento, Lula questionou Flávio sobre um caso envolvendo o assassinato de uma criança de cinco anos e uma suposta tentativa de retirar a identificação de balas. O senador negou a acusação.

Lula provoca Flávio ao mencionar o pai do senador

Um dos momentos mais acalorados ocorreu quando Flávio questionou Lula sobre a possibilidade de receber votos de pessoas presas. “73% dos presidiários votaram em você?”, perguntou o senador, em uma provocação dirigida ao presidente.

Lula respondeu que gostaria de receber votos de todos, inclusive do pai do adversário. “Eu quero que votem 100%, até teu pai. Até teu pai”, afirmou. Na sequência, o presidente insistiu que o pai de Flávio poderia votar nele e usou a relação familiar para provocar o senador: “Ele tá é votando no cara melhor. Ele te conhece. Ele te conhece”.

Flávio rebateu dizendo que o pai não poderia votar nele. Durante a troca, o senador afirmou ter sido vítima de perseguição, enquanto Lula continuou a provocação, dirigindo-se também ao pai do adversário.

A tensão também apareceu no momento reservado ao encerramento das falas. Lula começou suas considerações finais agradecendo ao povo brasileiro e mencionando os apoiadores que, segundo ele, estavam nas ruas do país. A fala, porém, foi interrompida pelo andamento do confronto e a mediadora Adriana Araújo precisou intervir para tentar assegurar que o presidente concluísse o tempo destinado a ele.

Adriana Araújo pediu que Flávio aguardasse o término das considerações finais de Lula. Em diferentes momentos, repetiu o pedido para que o senador permitisse ao adversário concluir sua fala e também solicitou silêncio à plateia. A mediadora chegou a explicar que Flávio teria a oportunidade de fazer suas próprias considerações finais e que Lula deveria respeitar o mesmo espaço quando fosse a vez do senador.

Mesmo com as intervenções, Flávio continuou falando durante o momento reservado ao presidente. Lula aproveitou a situação para retomar as provocações envolvendo o pai do adversário, afirmando que ele também poderia votar nele. O episódio expôs a dificuldade de manter a dinâmica prevista para o encerramento do debate, com a mediação tendo de interromper repetidamente a sequência para pedir respeito ao tempo de fala.

Lula desafia Flávio a abrir sigilos bancário e telefônico

Em outro dos trechos mais contundentes, Lula direcionou as acusações à família Bolsonaro e aos supostos vínculos de seus integrantes com interesses dos Estados Unidos. O presidente afirmou que a família estaria subordinada a esses interesses e mencionou pessoas que, segundo ele, estariam no exterior pressionando contra o Brasil.

Na sequência, Lula levou a discussão sobre corrupção para um desafio direto a Flávio. O presidente propôs que os dois abrissem as próprias contas bancárias e os sigilos telefônicos, incluindo os de seus familiares, para que as informações fossem entregues à Justiça antes das eleições.

“Eu desafio você e eu amanhã abrirmos a nossa conta bancária, abrirmos nosso sigilo telefônico para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país”, declarou Lula. O presidente afirmou que os documentos poderiam ser encaminhados ao presidente do Supremo Tribunal Federal e ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para que fossem avaliados antes da votação.

Lula apresentou a proposta como uma forma de permitir que os eleitores soubessem quem estaria envolvido em corrupção. Durante a mesma fala, afirmou que Flávio não teria explicado questionamentos anteriores sobre uma casa.

Lula questiona Flávio sobre assassinato de criança de cinco anos

Outro confronto ocorreu quando Lula perguntou a Flávio sobre um caso relacionado ao assassinato de uma criança de cinco anos. O presidente questionou por que o senador teria trabalhado para que o caso fosse resolvido e, em seguida, acrescentou uma acusação sobre uma suposta tentativa de retirar a identificação de balas para impedir que fossem rastreadas.

“Por que você queria tirar a marca das balas, o número da bala para que não fosse identificada? Me conta”, perguntou Lula. Flávio respondeu de forma direta: “Nunca quis tirar”.

A troca terminou, no trecho enviado, sem que o senador apresentasse uma explicação mais detalhada sobre a acusação.



Fonte Original: Estado do Pará Online